"A Sensibilidade do TATO"


A Nina
Por Cris Koelle

Como é não enxergar?
O que substituímos em nossos instintos para compensar a perda da visão?
Como é nunca ter enxergado, pelo menos não da maneira usual?

A Nina sabe como é.
Quando começamos a trabalhar juntas perguntei o que ela gostaria de fazer, que formas conhecia, que objetos.
O ferro de passar foi foco da conversa.
Ela gostaria de fazer um ferro de passar roupas.
Só que ela ainda não tinha pego nenhum. Para a semana seguinte ficou combinado que o ferro seria observado alguns minutos diariamente aquela semana.

O tamanho dele em relação a sua mão, como era a parte que tocava a mesa, se um lado era como o outro, se havia um nariz como no nosso rosto que determina onde é a face em relação à cabeça .... tudo que fosse possível sentir com o tato.

Na semana seguinte ela fez o ferro e depois uma colher de pau, um sapato, um rosto com orelhas, uma pêra, uma garrafa, a cestinha que fica ao lado de sua cama...
Ela sabe o que é forma, tem um banco de dados consciente
e sabe transmitir a dimensão para a argila.

É só conhecê-la para saber que é muito amada e cuidada com todo carinho.
As primeiras peças tinham relação com ruídos e odores, como a roupa sendo passada e a colher de pau mexendo doce na panela.
Numa rotina intimista, o trabalho doméstico, o convívio com a mãe.

A Nina vê com sentidos que muitas pessoas não desenvolvem.

Observando e sentindo ela criou cenários mentais, ricos e particulares.

Eu não sabia nada disso, foi ela que ensinou.

D Ilda, D Cida, Eliana, Maria Helena, Doralice, Sara, Seu Sebastião,
Daiane, Deivanyo, Resende, Gilmar, Sebastião, Chiquinho, Roberto, Seu Benedito, todos, conhecem a sensibilidade do tato.

São professores

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