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Dicas e opiniões
FÍGADO DE ENXOFRE (oxidante de prata)
Colaboração: Milton Lorena
 


O FIGADO DE ENXOFRE é um composto de potássio e enxofre usado para o escurecimento de prata e bronze. Embora comumente chamado de oxidante de prata, o processo não é de oxidação e sim de reação da solução com a superfície desses metais produzindo diferentes tons de cinza e preto.
Soluções prontas para uso, se apresentarem flocos, podem ser diluídas e devem ser agitadas para sua homogeneização.
Para obter um tom preto azulado lustroso ou cinza aço na prata, ou um preto arroxeado no cobre, mergulhe a peça na solução e enxágüe repetidamente escovando com uma escova fina de bronze embebida com água e sabão.
A aplicação de pintura em áreas específicas, precedida de um ligeiro aquecimento do objeto, pode funcionar bem.
O jateamento com areia sobre a prata, imediatamente antes de mergulhar na solução produz um resultado interessante. Evite tocar no material, o contato manual pode prejudicar a obtenção de uma cor uniforme. O uso da escova de bronze embebida com água e sabão também contribui para um resultado razoavelmente mais durável.

Outro efeito interessante (use luvas de borracha) é obtido segurando-se um pequeno pedaço de fígado de enxofre sobre uma superfície de metal inclinada sob água corrente fria. Para isso você deve dispor do composto, em pedaços. Nunca misture nem coloque junto de ácidos, nem mergulhe os objetos depois de coloridos em soluções decapantes. Gases muito tóxicos podem ser liberados. Trabalhe sempre em local arejado e com boas condições de ventilação.

Prepare apenas o necessário para cada aplicação, evite o desperdício. Ponha a água quente ou morna em um vidro, ou numa vasilha plástica. Verifique se o objeto está bem limpo, aqueça-o previamente em água quente para elevar sua temperatura e obter uma coloração uniforme. Mergulhe-o na solução uma ou duas vezes enxaguando em seguida até obter o tom desejado. Escove com escova de bronze e água e sabão entre os enxágües. Este procedimento resulta em uma superfície metálica brilhante, uniformemente escura.

Normalmente o fígado de enxofre é usado para obtenção de tonalidades pretas ou cinzentas, mas várias cores intermediárias são obtidas com soluções fracas e usadas. Entre elas o amarelo, o marrom avermelhado, o roxo e o azul. Um pouco de solução de amoníaco adicionada ao fígado de enxofre diluído, intensifica as cores azul-verde-vermelho-roxas. Estas cores são muito instáveis porque continuam a reagir e escurecer em presença do ar. Uma maneira de conservá-las é cobri-las com uma camada fina de resina ou verniz acrílico.


RETÍCULA
(parte1) e abaixo (parte 2) e (parte 3)

A retícula é uma técnica de criação de texturas originais em chapas de prata ou de ouro por meio de aquecimento controlado. Como os padrões e a aparência das retículas são imprevisíveis e os mesmos resultados nunca se repetem, é freqüente a sua utilização por artistas joalheiros na produção de peças personalizadas. Consiste em aquecer e mergulhar a chapa repetidamente no ácido para remoção do óxido da liga de cobre superficial, deixando uma fina camada enrugada de metal puro.
As diferentes temperaturas de fusão entre a superfície e o interior do material produzem um efeito semelhante a uma paisagem lunar.
- Aqueça toda a chapa lentamente até atingir uma coloração dourada. A seguir intensifique a chama movimentando-a sobre a superfície e detendo-a em pontos específicos. A liga no interior do metal fluirá produzindo o enrugamento do metal.
A técnica funciona bem na prata sterling (925), mas em ligas com menores teores de prata (830,820 ou 800), obtêm-se efeitos mais dramáticos. Pode-se também criar texturas reticuladas em ligas de ouro com resultados similares aos da prata. Não é um processo difícil, mas exige certa prática, concentração e habilidade no controle do fogo.
É recomendável trabalhar com uma chapa maior que o necessário, pois o processo provoca algum encolhimento.
As espessuras de chapa interferem na quantidade de texturas. Calibragens mais finas aumentam as possibilidades de produzir buracos, mas permitem uma superfície mais reticulada. Escolha as partes mais interessantes para incorporá-las na jóia.

RETÍCULA – PASSO A PASSO
(parte 2)

Os procedimentos seguintes apresentam a produção de texturas reticuladas, passo a passo. Não pretendem estabelecer um método definitivo e se você quiser colaborar acrescentando a sua própria experiência, seja bem vindo!

1. Aqueça o metal até a temperatura de recozimento (600ºC), evitando chegar ao vermelho escuro. Pode-se usar um maçarico, mas, um forno permite melhor controle do aquecimento. Use uma tela de arame para facilitar colocar e tirar o metal do forno. Mantenha-o à temperatura de 600°C, pelo menos por 2 minutos.

2. Decape o metal em uma solução decapante quente (90% água + 10% ácido sulfúrico), por 2 a 3 minutos.

3. Faça a limpeza sob água corrente com uma escova de latão embebida em detergente líquido. Enxugue em seguida. O objetivo destes procedimentos é criar áreas de diferentes temperaturas de fusão entre a superfície e o interior da chapa.

4. Repita os procedimentos (passos 1,2 e 3), 6 vezes para prata e 8 vezes para ouro. Num procedimento simplificado com apenas dois ciclos: no primeiro, mantenha o material no forno por 5 minutos e no segundo, por 10 minutos, ambos seguidos de decapagem e limpeza. Não decape ouro na mesma solução usada para prata, pois a prata pode chapear o ouro.

5. Aqueça a base sobre a qual você vai trabalhar: um bloco de carvão ou tijolo refratário usado para soldagens. A base quente ajuda manter o material com uma temperatura uniforme durante o processo.

6. Coloque a chapa preparada sobre a base quente. Pode ser usado um maçarico de bancada tipo ORCA/GLP (use o bico maior) com a chama aberta para abranger todo o material. Maçaricos do tipo Oxigênio/GLP também servem desde que você use um bico grande. Maçaricos do tipo Oxi/Acetileno são inadequados porque têm uma chama muito quente e concentrada. Entretanto, em chapas de grandes dimensões é possível usá-los em uma técnica com dois-maçaricos. Com uma das mãos use a chama aberta (Oxigênio/GLP ou Acetileno/Ar) para aquecer todo o material. Com a outra mão aplique a chama concentrada do Oxi/Acetileno em diferentes ângulos e distâncias para criar texturas em fileiras e círculos.

7. Ao trabalhar com apenas um maçarico, reduza a chama para uma ponta pequena e fina quando o metal avermelhar próximo da temperatura de fusão. Desloque lentamente o maçarico sobre a chapa. A ponta do cone de fogo azul, parte mais quente da chama, deverá manter-se bem perto ou diretamente em contato com o metal.

8. Assim que o metal começar a enrugar, mova a chama adiante. Esta é a parte mais crítica. Se você demorar muito num mesmo ponto, certamente produzirá um buraco no metal. A retícula acontece apenas onde for aplicada a chama. Use as partes lisas para composição de contrastes.

9. Ao terminar a retícula, resfrie ligeiramente e decape o metal. Use a escova de latão com detergente para obter um brilho acetinado. Polimentos com alto lustro em retículas, diminuem consideravelmente o impacto visual da textura.


RETÍCULA - Acabamento e Montagem 30/08/2006
(parte 3)

As texturas reticuladas são padrões aleatórios, imprevisíveis e únicos, entretanto, com a prática é possível manter algum controle sobre a técnica.

Deve-se notar que elas ocorrem em ambos os lados da chapa e, às vezes, o avesso pode ser mais atraente.

As retículas são mais facilmente obtidas na prata. A aplicação de pátina com fígado de enxofre é ideal para realçá-las.

Chapas reticuladas são mais porosas e exigem maior quantidade de solda para juntá-las. Podem-se brunir as bordas para igualar as espessuras e diminuir a absorção de solda.

Cuidado ao soldar, a temperatura de soldagem pode fundir e danificar as partes mais finas.

As texturas reticuladas são mais adequadas para chapas planas. Se você deseja uma peça com outra conformação, modele antes o metal aproximando-o da forma final.

Para reticular o metal já modelado, apóie bem a peça por baixo para evitar a deformação. Nesta operação as chances de produzir buracos são maiores.

O metal reticulado costuma ser mais frágil e quebradiço. Evite curvar e dobrar em excesso. Se necessário, recoza com cuidado.

Podem-se construir peças inteiras com retículas, mas elas são mais indicadas para detalhes e contrastes com partes polidas. Funcionam bem contrastando com lapidações tipo cabochão e enfatizando pedras brutas, cristais e drusas.

Deve-se identificar o teor do metal usado nas partes reticuladas, para que o cliente tenha conhecimento e saiba o que está adquirindo.


DESENVOLVENDO UMA IDÉIA

Um bom método para desenvolver uma idéia é selecionar partes de um desenho original para substituir outras menos interessantes. Use uma moldura para localizar um determinado setor de um desenho. Assim como o fotógrafo olha através da câmera para focalizar uma parte do todo, este método permite pesquisar as diferentes regiões de uma figura complexa.

Corte dois perfis em “L” idênticos de uma folha de papel. Use estes perfis sobrepostos formando molduras retangulares de tamanhos ajustáveis para examinar e escolher as partes mais interessantes.

Outra abordagem simples é cortar figuras bidimensionais de papel em tamanhos e motivos variados e arranjá-las em diferentes combinações até o aparecimento de um design agradável. Conhecidos como “bonequinhos de papel”, estes arranjos permitem, entre outras coisas, experimentar composições com formas e volumes e a definição de áreas de texturas e contrastes em uma peça.

Como as jóias são objetos tridimensionais, muitos preferem trabalhar com maquetes. Folhas de papel alumínio ou lâminas finas de cobre ou latão são bastante úteis para a confecção de uma maquete. Elas podem ser curvadas com facilidade contra qualquer borda ou perfil. Podem ser cortadas, enroladas, perfuradas, dobradas, grampeadas, coladas e, se necessário, pintadas com spray ou pincel.

Também existe a possibilidade de trabalhar diretamente no metal, sem esboços preliminares. Nesse caso, a experimentação direta deve ser considerada como um estágio importante no desenvolvimento de uma criação. As peças que não forem bem sucedidas, retalhos e aparas de metal podem ser refundidos, reciclados, ou utilizados para compor um novo trabalho.

As ilimitadas possibilidades do design podem, às vezes, inibir ou amedrontar os iniciantes. Para adquirir confiança e encontrar um ponto de partida é recomendável começar com motivos mais simples como bichinhos, desenhos infantis, figuras geométricas, etc. Um número como uma data de nascimento pode ser útil para começar e ainda produzir um resultado agradável ou surpreendente. Considere também que o tema escolhido possa ser desenvolvido em inúmeras peças até esgotar as suas possibilidades de variações.


O DESIGNER DE JÓIAS E A OFICINA

O conhecimento do desenho técnico e artístico e das técnicas de modelagem e construção de protótipos constitui recursos indispensáveis para o trabalho do designer de jóias, entretanto, torna-se necessário saber como fabricar o que se tem em mente.

Designers de jóias talentosos, após a formação acadêmica, frequentemente procuram na prática das técnicas de joalheria os subsídios necessários para a elaboração das suas criações. Perceberam que não basta ter ótimas idéias e precisam de uma base técnica para desenvolvê-las. Situações tais como montar um colar de contas, torcer e modelar um fio de metal, manipular uma ferramenta, permitem que a compreensão da natureza e do comportamento dos metais submetidos aos processos de fabricação tragam valiosas contribuições da oficina para os projetos.

Se você pretende desenhar jóias, deve também aprender como fazê-las. É comum descobrimos que não é bem aquilo o que imaginávamos, quando tentamos colocar uma boa idéia em prática, ou seja, quando vamos de fato transformá-la em uma jóia. Muitas vezes precisamos recorrer à oficina para construir e desenvolver protótipos antes de finalizar uma peça. Na medida em que aprendemos a operar as ferramentas e trabalhar com metais, gemas, cristais, fibras e outros materiais, elaborar e concretizar idéias torna-se progressivamente mais fácil.
O conhecimento e a experimentação das técnicas de joalheria na oficina são essenciais para o designer de jóias.

Comente: joias@joiasdobrasil.com


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