RETÍCULA – PASSO
A PASSO
(parte 2)
Os procedimentos seguintes
apresentam a produção de texturas
reticuladas, passo a passo. Não pretendem
estabelecer um método definitivo e
se você quiser colaborar acrescentando
a sua própria experiência, seja
bem vindo!
1. Aqueça o metal até
a temperatura de recozimento (600ºC),
evitando chegar ao vermelho escuro. Pode-se
usar um maçarico, mas, um forno permite
melhor controle do aquecimento. Use uma tela
de arame para facilitar colocar e tirar o
metal do forno. Mantenha-o à temperatura
de 600°C, pelo menos por 2 minutos.
2. Decape o metal em uma solução
decapante quente (90% água + 10% ácido
sulfúrico), por 2 a 3 minutos.
3. Faça a limpeza sob
água corrente com uma escova de latão
embebida em detergente líquido. Enxugue
em seguida. O objetivo destes procedimentos
é criar áreas de diferentes
temperaturas de fusão entre a superfície
e o interior da chapa.
4. Repita os procedimentos
(passos 1,2 e 3), 6 vezes para prata e 8 vezes
para ouro. Num procedimento simplificado com
apenas dois ciclos: no primeiro, mantenha
o material no forno por 5 minutos e no segundo,
por 10 minutos, ambos seguidos de decapagem
e limpeza. Não decape ouro na mesma
solução usada para prata, pois
a prata pode chapear o ouro.
5. Aqueça a base sobre
a qual você vai trabalhar: um bloco
de carvão ou tijolo refratário
usado para soldagens. A base quente ajuda
manter o material com uma temperatura uniforme
durante o processo.
6. Coloque a chapa preparada
sobre a base quente. Pode ser usado um maçarico
de bancada tipo ORCA/GLP (use o bico maior)
com a chama aberta para abranger todo o material.
Maçaricos do tipo Oxigênio/GLP
também servem desde que você
use um bico grande. Maçaricos do tipo
Oxi/Acetileno são inadequados porque
têm uma chama muito quente e concentrada.
Entretanto, em chapas de grandes dimensões
é possível usá-los em
uma técnica com dois-maçaricos.
Com uma das mãos use a chama aberta
(Oxigênio/GLP ou Acetileno/Ar) para
aquecer todo o material. Com a outra mão
aplique a chama concentrada do Oxi/Acetileno
em diferentes ângulos e distâncias
para criar texturas em fileiras e círculos.
7. Ao trabalhar com apenas
um maçarico, reduza a chama para uma
ponta pequena e fina quando o metal avermelhar
próximo da temperatura de fusão.
Desloque lentamente o maçarico sobre
a chapa. A ponta do cone de fogo azul, parte
mais quente da chama, deverá manter-se
bem perto ou diretamente em contato com o
metal.
8. Assim que o metal começar
a enrugar, mova a chama adiante. Esta é
a parte mais crítica. Se você
demorar muito num mesmo ponto, certamente
produzirá um buraco no metal. A retícula
acontece apenas onde for aplicada a chama.
Use as partes lisas para composição
de contrastes.
9.
Ao terminar a retícula, resfrie ligeiramente
e decape o metal. Use a escova de latão
com detergente para obter um brilho acetinado.
Polimentos com alto lustro em retículas,
diminuem consideravelmente o impacto visual
da textura.
RETÍCULA
- Acabamento e Montagem 30/08/2006
(parte 3)
As
texturas reticuladas são padrões
aleatórios, imprevisíveis e
únicos, entretanto, com a prática
é possível manter algum controle
sobre a técnica.
Deve-se
notar que elas ocorrem em ambos os lados da
chapa e, às vezes, o avesso pode ser
mais atraente.
As
retículas são mais facilmente
obtidas na prata. A aplicação
de pátina com fígado de enxofre
é ideal para realçá-las.
Chapas
reticuladas são mais porosas e exigem
maior quantidade de solda para juntá-las.
Podem-se brunir as bordas para igualar as
espessuras e diminuir a absorção
de solda.
Cuidado
ao soldar, a temperatura de soldagem pode
fundir e danificar as partes mais finas.
As
texturas reticuladas são mais adequadas
para chapas planas. Se você deseja uma
peça com outra conformação,
modele antes o metal aproximando-o da forma
final.
Para
reticular o metal já modelado, apóie
bem a peça por baixo para evitar a
deformação. Nesta operação
as chances de produzir buracos são
maiores.
O
metal reticulado costuma ser mais frágil
e quebradiço. Evite curvar e dobrar
em excesso. Se necessário, recoza com
cuidado.
Podem-se
construir peças inteiras com retículas,
mas elas são mais indicadas para detalhes
e contrastes com partes polidas. Funcionam
bem contrastando com lapidações
tipo cabochão e enfatizando pedras
brutas, cristais e drusas.
Deve-se
identificar o teor do metal usado nas partes
reticuladas, para que o cliente tenha conhecimento
e saiba o que está adquirindo.
DESENVOLVENDO UMA IDÉIA
Colaboração:
Milton Lorena
Um
bom método para desenvolver uma idéia
é selecionar partes de um desenho original
para substituir outras menos interessantes.
Use uma moldura para localizar um determinado
setor de um desenho. Assim como o fotógrafo
olha através da câmera para focalizar
uma parte do todo, este método permite
pesquisar as diferentes regiões de
uma figura complexa.
Corte dois perfis em “L” idênticos
de uma folha de papel. Use estes perfis sobrepostos
formando molduras retangulares de tamanhos
ajustáveis para examinar e escolher
as partes mais interessantes.
Outra abordagem simples é cortar figuras
bidimensionais de papel em tamanhos e motivos
variados e arranjá-las em diferentes
combinações até o aparecimento
de um design agradável. Conhecidos
como “bonequinhos de papel”, estes
arranjos permitem, entre outras coisas, experimentar
composições com formas e volumes
e a definição de áreas
de texturas e contrastes em uma peça.
Como as jóias são objetos tridimensionais,
muitos preferem trabalhar com maquetes. Folhas
de papel alumínio ou lâminas
finas de cobre ou latão são
bastante úteis para a confecção
de uma maquete. Elas podem ser curvadas com
facilidade contra qualquer borda ou perfil.
Podem ser cortadas, enroladas, perfuradas,
dobradas, grampeadas, coladas e, se necessário,
pintadas com spray ou pincel.
Também existe a possibilidade de trabalhar
diretamente no metal, sem esboços preliminares.
Nesse caso, a experimentação
direta deve ser considerada como um estágio
importante no desenvolvimento de uma criação.
As peças que não forem bem sucedidas,
retalhos e aparas de metal podem ser refundidos,
reciclados, ou utilizados para compor um novo
trabalho.
As ilimitadas possibilidades do design podem,
às vezes, inibir ou amedrontar os iniciantes.
Para adquirir confiança e encontrar
um ponto de partida é recomendável
começar com motivos mais simples como
bichinhos, desenhos infantis, figuras geométricas,
etc. Um número como uma data de nascimento
pode ser útil para começar e
ainda produzir um resultado agradável
ou surpreendente. Considere também
que o tema escolhido possa ser desenvolvido
em inúmeras peças até
esgotar as suas possibilidades de variações.
O
DESIGNER DE JÓIAS E A OFICINA
Colaboração:
Milton Lorena
O
conhecimento do desenho técnico e artístico
e das técnicas de modelagem e construção
de protótipos constitui recursos indispensáveis
para o trabalho do designer de jóias,
entretanto, torna-se necessário saber
como fabricar o que se tem em mente.
Designers
de jóias talentosos, após a
formação acadêmica, frequentemente
procuram na prática das técnicas
de joalheria os subsídios necessários
para a elaboração das suas criações.
Perceberam que não basta ter ótimas
idéias e precisam de uma base técnica
para desenvolvê-las. Situações
tais como montar um colar de contas, torcer
e modelar um fio de metal, manipular uma ferramenta,
permitem que a compreensão da natureza
e do comportamento dos metais submetidos aos
processos de fabricação tragam
valiosas contribuições da oficina
para os projetos.
Se
você pretende desenhar jóias,
deve também aprender como fazê-las.
É comum descobrimos que não
é bem aquilo o que imaginávamos,
quando tentamos colocar uma boa idéia
em prática, ou seja, quando vamos de
fato transformá-la em uma jóia.
Muitas vezes precisamos recorrer à
oficina para construir e desenvolver protótipos
antes de finalizar uma peça. Na medida
em que aprendemos a operar as ferramentas
e trabalhar com metais, gemas, cristais, fibras
e outros materiais, elaborar e concretizar
idéias torna-se progressivamente mais
fácil.
O conhecimento e a experimentação
das técnicas de joalheria na oficina
são essenciais para o designer de jóias.
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joias@joiasdobrasil.com