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NOVO
DESIGN
DE JÓIAS E CRIATIVIDADE
Milton Lorena
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DESIGN
DE JÓIAS E CRIATIVIDADE
Milton
Lorena
A
criatividade é o componente da imaginação
que leva a ver o mundo de novas maneiras. Todos somos
criativos, porém, a criatividade varia em qualidade
e intensidade de pessoa para pessoa. Felizmente, assim
como outras características humanas, a criatividade
pode ser desenvolvida pelos que dela dependem para o
exercício de uma profissão. O design de
jóias exige fina sintonia com todo um
universo de estímulos à criatividade.
A valorização das intuições,
a determinação
em comprovar a veracidade de uma idéia, a consideração
sobre uma opinião
diferente, a instrução formal e a aquisição
de ensinamentos ampliam os recursos criativos.
Grande parte do que percebemos ou experimentamos pode
inspirar uma peça de joalheria. Observando a
natureza notamos em tudo uma orientação
funcional, entretanto, a beleza existente ao nosso redor
quase sempre passa despercebida.
Se tentarmos desenhar uma mosca, por exemplo, veremos
como conhecemos tão pouco das coisas mais comuns.
Quais são as suas cores, linhas, texturas, formas,
proporções e movimentos? Um sem número
de perspectivas está à espera de nossa
observação.
Museus, bibliotecas, estúdios de joalheria, o
trabalho de outros joalheiros, a
produção de pintores, designers comerciais,
fotógrafos, arquitetos e particularmente, escultores,
são fontes para a inspiração. O
gérmen de uma idéia pode estar na poesia,
na música e na dança. Todas as artes possuem
uma linguagem que pode tocar alguma coisa dentro de
nós e desobstruir um rico manancial criativo.
Deve-se manter um caderno de rascunhos sempre à
mão, pois, as idéias afloram espontaneamente
e se não forem anotadas podem se perder. Os processos
de fabricação podem inspirar um design.
Ouvir o que os materiais têm a dizer pode conduzir-nos
em direções muito interessantes. Formas,
texturas, cores, e resíduos podem ser explorados.
Sobras de outros trabalhos podem ganhar sobrevida e
fornecer o gérmen de uma nova idéia.
O design de jóias é uma combinação
de expressão, técnica e funcionalidade.
Jóias são feitas para usar. Conforto e
durabilidade são primordiais na sua concepção.
Deve-se, portanto, considerar a personalidade, as preferências
e as características físicas do usuário,
além de alguns aspectos funcionais que não
podem ser subestimados pela criatividade: Peso dos brincos,
fragilidade de um anel ou de uma fivela, flexibilidade
de uma tornoseleira, facilidade de abertura de um fecho,
protuberâncias que possam agarrar-se nas roupas,
tamanho da peça em relação
ao do usuário e as circunstâncias em que
uma jóia deverá ser usada.
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A
importância do Designer
Biane Motta
Muito
se engana quem pensa que designer é a pessoa
que apenas desenha. Este profissional surgiu para unir
a um produto valores como: ergonomia, estética,
produção...
O designer vende soluções!
A
forma “agradável ou vendável”
é apenas uma das características que o
designer
deve pensar. Esta função é dividida
em três etapas: concepção, registro
e produção.
Na primeira etapa é necessário conhecer
o que vai ser projetado. Quem vai comprar este produto?
Quanto pode ser gasto? Do que o consumidor final gosta?
Quais os seus desejos? Antes de começar a pensar
na forma e material, estas são algumas das muitas
perguntas a serem respondidas.
Na segunda etapa entra a criação e o desenho.
Uma idéia apenas se torna concreta depois de
registrada. O desenho é a principal ferramenta
utilizada pelos designers para registrar esta idéia
e poder aperfeiçoá-la.
E finalmente a produção.
O
designer também deve saber como tornar real suas
idéias. Quais os processos atendem melhor as
necessidades para o projeto? Qual o tempo de produção?...
Deve saber solucionar pequenos imprevistos que possam
acontecer. Para identificar estes pequenos problemas
é necessário fazer um modelo para teste.
Para esta etapa é indicado conhecer os processos
de joalheria artesanal entre outros.
Biane desenha coleções
para várias empresa, é professora de design,
estudou no exterior e tem formação universitária.
Para entrar em contato: www.joiasdobrasil.com/biane/
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JOALHERIA
CONTEPORÂNEA
Virginia Moraes
A joalheria Contemporânea surgiu no final
dos anos 60 com a proposta de rompimento com a joalheria
moderna que vigorava desde a década de 20. A nova proposta
ia de encontro à jóia industrialmente projetada, que
priorizava a beleza das gemas e o brilho dos metais
preciosos em designs que objetivavam a perfeita harmonia
entre os materiais.
A década de 60 foi um turbilhão de novos conceitos e
materiais na joalheria. Artistas joalheiros buscavam
nas novas correntes artísticas a soluções para suas
criações.
Da Pop Art vieram as jóias que utilizavam materiais
da mídia, como jornal e revistas, da vertente minimalista
as jóias com desenhos simples e escalas avantajadas.
O artista pesquisou a joalheria de outros povos para
criar a joalheria étnica. Essas novas idéias rejeitavam
os metais preciosos, para isso substituiram as pedras
preciosas por cristal e quartzo, o ouro e a platina
pela prata,dessa forma construiram um panorama mais
democrático para a joalheria.
Outros materiais foram incorporados à jóia, os artistas
assimilaram as novas descobertas do mundo contemporâneo
como o aço, o alumínio o plástico, a borracha etc.
O grande centro propagador da nova joalheria na europa
foi a Grã Bretanha. Galerias que antes abrigavam as
Artes Plástica passaram a reservar espaço para mostras
de jóias, e outras especializadas em jóias foram inauguradas.
É o caso da Expectrum inaugurada em 1970 em Londres
que que atraía joalheiros de toda a parte da europa,
pricipalmente países como a Holanda e Alemanha que continuavam
influenciados pelos princípios da Bauhaus.
Nos dias de hoje a Inglaterra ainda guarda as conquistas
básicas desse período. Inúmeras escolas e universidades
de joalheria formam dezenas de joalheriros todos os
anos, universidades que têm em seus currículos o fazer
e o pensar jóia. As várias associações de classe que
hoje atua na divulgação desses artistas, organizando
feiras, exposições, concursos etc. E os grantsajuda
de custo que o governio fornece para que o artista-artesão
possa financiar seu trabalho e estudo, com isso o inglês
passou a gostar e apreciar a jóia exclusiva com a marca
do artista, e se possível com o Hallmarking, punção
oficial da grâ Bretanha.
No Brasil dos anos 70 tivemos poucos e bons artistas
joalheiros que antenados na nova tendência no olhar
a jóia ousaram nas suas criações e tinham suas jóias
usadas por artistas e pessoas formadores de opinião.
Foi o caso de Caio Mourão que trouxe para Ipanema suas
grandes formas orgânicas com materiais não convencionais,
podemos citar ainda os saudosos Márcio Mattar e Bobby
Stepanenko.
Artistas de outras áreas criaram coleções de jóias para
exprimir suas próprias idéias, por exemplo, Cildo Meirelles
e Roberto Burle Max que viram na jóia além da propriedade
estética um condutor de informação.
O que aconteceu com essa vertente da joalheria, o que
restou de toda essa estética, o que de fato vemos hoje
que seja recorrente desse movimento Na Inglaterra podemos
ver os joalheiros ( jeweller, é assim que eles se denominam)
usando e abusando da prata, é o metal mais vendido e
usado por todas as classes, o mercado da prata é muito
forte, o que pode ser visto nas feiras nacionais e internacionais
de jóias sediadas em Londres.
No Brasil vemos que a prata está no subconsciente de
muitos como, jóia de má qualidade, muitas vezes associada
à bijuteria. Por que será que este metal precioso é
tão pouco usado entre os designers autônomos?
Por que é tão raro ver uma coleção em prata? Qual seria
a resposta, o lucro é menor, a demanda é menor, ou por
que simplesmente acham o ouro mais bonito??? Qual será
a questão?????
Com certeza uma grande contribuição que os artistas
comtemporâneos deixaram para nós foi a questão do pensar
sobre a jóia, a inquietação do artista em alcançar novas
fronteiras, a busca de novas perguntas e respostas.
A premiada designer Virginia Moraes tem sua escola atelier
no Bairro Peixoto - Copacabana - Rio de Janeiro
Veja suas criações e entre em contato em seu endereço
JOIASdoBRASIL.com/virginia
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ARTISTAS
JOALHEIROS
Caio Mourão
Considerados menores diante de pintores e escultores,
os joalheiros têm demonstrado,
ao passar dos séculos, que não só são iguais como às vezes
superiores com suas realizações, trabalhando com materiais
muito mais diversos, como ouro, pedras
preciosas, esmaltes, prata, pérolas, madeiras, etc.
Temos vários grandes pintores que realizaram também jóias,
Durer, Leonardo
da Vinci, Michelângelo e o versátil Benvenuto Cellini,
que era filho de ourives,
se tornou oficial e só depois partiu para também ser grande
em outras
modalidades artísticas. Continuou a realizar jóias e objetos
por toda sua vida.
Mas, os tempos eram outros.
Hoje, dentro da estrutura desumanizada de uma sociedade
em que a industrialização padronizada e a Imprensa propagama
estéticas, o homem procura salvaguardar uma parcela de
sua individualidade pelos objetos criados.Há um ressurgimento
do artesanato, uma procura de novos moldes de criação.
Com algum desdém pela precisão e especificidade de métodos,
apanágio
de tão decantada globalização de nossos dias....
É com a satisfação da criança que rabisca o quadro negro
na ausência da
professora que o tinha enchido de algarismos, que trabalha
nosso artista
joalheiro. Não é só um artista mas também um espírito
novo e curioso, a
procura de novas soluções.
Há
uma alegria pela descoberta de cada nova forma ou desenho,
no manuseio
do material empregado. Uma intimidade sensual entre o
homem e a matéria
que ele molda e transforma com carinho de amante paciente,
em objetos,
através de suas mãos e de um instrumental rudimentar mas
de enorme significado.
Ser artista joalheiro hoje em dia , é assumir uma atitude
de revolta contra
a automação globalizante e voltar a dar ao homem o carinho
de um objeto
realizado com personalidade, sentimento e sobretudo, alegria.
Caio Mourão
Iguaba - Rio de Janeiro
www.joiasdobrasil.com/caiomourao/index.asp |
| A
Joalheria Baiana do Século XIX
Virginia Moraes
No
momento atual, o conceito de multiculturalidade tornou-se
uma tendência em várias áreas do saber, e também se
faz presente no panorama internacional do design
de jóias. Na joalheria esta tendência tem como referências
os estudos sobre a joalheria étnica ou etnic jelwelry,
entendida como a produção de grupos vivos ou extintos
com homogeneidade cultural e linguística.
Nessa atmosfera de redescoberta de nossas origens culturais
é importante destacar uma das produções mais importantes
da história da joalheria no Brasil- Joalheria Baiana
ou Joalheria Crioula - jóias de enorme mistério e grande
superstição feitas e usadas por negros e negras na Bahia
no Sc. XIX.
A origem dessa joalheria provém dos cultos religiosos
afro-brasilreiros onde a técnica da fundição foi introduzida
pelos negros malês que já conheciam na África
as propriedades e o manuseio dos metais. Nos terreiros
de candomblé, o artesão que trabalhava na produção dos
objetos de culto usados nas cerimônias era chamado de
ferramenteiro ou ferramenteiro de
santo.
A eles era destinada a produção das ferramentas dos
orixás, das figas, dos encastoamentos de dentes, e outros
que ficavam expostos nos pejis (santuários).
Também eram produzidos objetos corporais femininos como
os ibós e idés (pulseiras), copos (punhos),
braçadeiras e outras jóias que funcionavam como emblemas,
símbolos de cada entidade divina nas danças ritualísticas.
Da joalheria religiosa afro-brasileira algumas jóias
saíram dos cultos e se proliferaram entre as negras
e mulatas da província. Entre as jóias mais conhecidas
estão os punhos, também conhecidos por pulseiras
escravas, os colares de contas enfeitadas com filigramas,
os colares de contas coloridas etc. Porém, foram os
amuletos as peças mais difundidas pelos baianos, usados
nos colares, pulseiras ou em molho nos argolões trazidos
na cintura. O molho de amuletos tem sua origem nos cultos
religiosos africanos, e representa Ogum, o orixá
dos que trabalham com o ferro.
Foi na joalheria popular entretanto, que o molho de
amuletos se propagou como adorno pessoal e teve a denominação
de Penca de Balangandãs. Não se sabe ao certo a sua
origem, mas especula-se que seja realmente baiana, feitas
no Brasil por negros artesãos, escravos e forros. As
Pencas de Balangandãs foram primeiramente identificadas
nos trajes das negras de ganho de Salvador no século
XIX.
Provavelmente estas peças tenham surgido da necessidade
da negra de se proteger contra o "mau olhado";
como forma de evocar o lucro material; agradecer uma
benção, ela buscou na forma de Ogum um distintivo
próprio de sua condição de mercadora. Nos balangandãs
estavam representados figuras como ex-votos, figas,
bolas de louça, saquinhos de couro, dentes de animais,
objetos provenientes dos cultos africanos, que, somados
às medalhinhas de santos e diversos tipos de crucifixo
consagrou parte de nossa história sincretizando as crenças
e cismas da África e todo seu imaginário com os santos
e símbolos da Igreja Católica.
As Pencas de Balangandãs e outras jóias que compõem
a Jolheria Baiana são verdadeiros símbolos da cultura
afro-brasileira, registro de suas tradições e saberes.
As jóias autênticas desse período hoje são tidas como
verdadeiras raridades, com seus exemplares nos acervos
de grandes museus. A Joalheria Baiana constitui um campo
de estudo para áreas afins como a antropologia, a semiótica,
sociologia, os estudos da religião etc. Curiosamente
os profissionais da área da joalheria pouco se propõe
à analisa-las, desconhecendo as particularidades desta
joalheria. Sua simbologia, sua técnica de manufatura
e sua linguagem constituem uma grande fonte de pesquisa
e de referência na criação de novos trabalhos, sendo
esta uma alternativa na busca da identidade da joalheria
brasileira contemporânea.
A premiada designer Virginia Moraes tem sua escola
atelier no Bairro Peixoto - Copacabana - Rio de Janeiro.
Veja suas criações e entre em contato em seu endereço
JOIASdoBRASIL.com/virginia/
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Joalheria
Artística
Virgínia Moraes
O impacto da tecnologia sobre as técnicas
de produção e a vulgarização própria do consumismo contribuíram
para descaracterizar a jóia como obra de arte. O tradicional
ourives cede lugar às modernas máquinas de fundição;
a peça única perde espaço para a massificação.
Diante deste quadro, surgiu a preocupação de se resgatar
o valor artístico na joalheria. Atualmente joalheiros
espalhados pelo mundo recusam-se a trabalhar condicionados
por modismos e buscam soluções artísticas para suas
criações.
Assim, criou-se o conceito de "Joalheria de Autor"
para o trabalho desses artistas que tem como objetivo
o nivelamento da arte joalheira às demais formas de
manifestação artística. O "autor de jóias"
designa, portanto, o artista que cria e executa peças
únicas desvinculado das tendências da joalheria comercial.
Ao invés de se preocupar com a jóia "vale quanto
pesa", o artista supera o valor intrínseco dos
materiais, o que lhe permite maior liberdade na combinação
de metais nobres e gemas com materiais alternativos
como vidro, resina, borracha, etc.
A importância da exibição desses trabalhos consiste
em fornecer ao público a oportunidade da apreciação
estética da jóia, transcendendo a dimensão utilitária,
integrando-a no universo da arte.
A premiada designer Virginia Moraes tem sua escola atelier
no Bairro Peixoto - Copacabana - Rio de Janeiro
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