CRíTICA: 
Uma mulher nua deitada na taça

Olney Krüse
São Paulo, junho de 1997


Sou daqueles que
acreditam que esta esgotada
(mesmo) a fase da arte abstrata,
algo que, formalmente tem menos
de um século.E que parece ter
esgotado todas as suas fórmulas
neste torturado século vinte.
O corpo humano ainda é (e sempre
será, esperamos) uma fonte
inesgotável para os artistas viciados
em beleza, entre os quais me
incluo,entusiasmado.

A era de Aquário, já
iniciada, revela isso - basta ver
luz no meio de tanta e tamanha
sombra escura. A vitória do bem
e da paz virá, sem dúvida e sem
desespero, embora seja muito
maléfico o barulho, os
disseminadoes da sujeira imunda
da violencia autoritária dos
policiais de todo o mundo, mais os
imacreditáveis assassinos -
adolescentes cruéis, tão comuns
nos ultimos tempos proliferando
em todas as latidudes...


A rigor a arte abstrata não é
um produto inédito deste
século:ela existe, de maneira
criativa e brilhante, na arte
pré-histórica, na China antiga e
clássica e até nos povos
pré-colombianos. Penso nessas
coisas vendo a obra de Cristina
Koelle. Ela tem solidariedade,
sensualidade, severidade.
A solidariedade se percebe em
grupos humanos dando as mãos,
enfileirados ou em grupos
esportivos e/ou formais. Que bom!

A severidade dos pensamentos (edificantes) - que deveria ser de
todos os seres humanos, e não
apenas da minoria heroica que
enfrenta o mal-mundo afora -
Koelle coloca em grupos figurativos
de corpos humanos sobrepostos.
Eles são claros na bela mensagem
que vem dai: Viva o Homem!, ensinam.

A sensualidade na obra de Cristina
Koelle está no corpo da mulher
(fica nos devendo para logo, o do homem) que ela coloca, com graça
e delicadeza na... borda de uma taça!

São mulheres sensuais e lânguidas,
que se pode colocar em diferentes posições perto do champanhe ou do vinho tinto.

Arte e sexo - ainda bem - estarão
sempre juntos. Eles celebram a vida.

Em maio ultimo, Koelle fez
uma bem-sucedida exposição
individual na galeria de arte
A Hebraica. Para chegar até ela você
telefone para Fernando Abraão
XXXXXXX. Se quiser comprar suas
obras vá até a Arte Aplicada na rua
XXXXXXXXX.O telefone é XXXXXXX

NOTA:
JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO

29 de junho de 2006 - 16:44
Morre o crítico de artes plásticas Olney Kruse

SÃO PAULO - Morreu nesta quinta-feira, às 11 horas, aos 67 anos,
o crítico de artes plásticas Olney Kruse, também poeta, fotógrafo e jornalista sofreu
uma parada cardíaca em Atibaia, São Paulo.

Também poeta, fotógrafo e jornalista, trabalhou no Jornal da Tarde durante 21 anos.

Como artista, participou da Bienal de Artes Plásticas de São Paulo, na edição de 1976.
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